sexta-feira, 7 de junho de 2013

Sobre as leis e o amor

Como Deus dá o frio conforme o cobertor, ele também dá as leis e o amor de acordo com a necessidade de cada povo!

Existem as leis da física para quem estudou física. Quem faltou àquelas aulas não sentirá falta! O máximo que lhe pode acontecer é ser fulminado por um raio na praia, durante uma pelada, ou trepado num trio elétrico em dias de tempestade.
Leis naturais podem ser observadas e estudadas à exaustão, mas, segundo o teólogo austríaco Helmut Griess, não são capazes de convencer um físico agnóstico da existência de Deus, muito menos fazer com que nós leigos compreendamos a misericórdia divina!
O amor de Deus não pode ser medido por nenhum aparelho, por mais sofisticado esse seja. Nem hoje, nem amanhã, ou quando o homem chegar a construir um shopping center em Marte.

Existem as leis de Deus, com que os humanos há milênios tentam organizar suas respectivas sociedades.
O povo eleito, livrando-se do jugo do Faraó, em vez de curtir a liberdade, logo logo sentiu saudades da canga e do cabresto e aceitou o peso das tábuas da lei, que na verdade não eram de madeira e sim de pedra, já que naquele deserto não havia nenhuma árvore e sim apenas um arbusto que acabou pegando fogo.
Como o povo eleito tem fama de ser muito inteligente, tratou logo de domesticar as leis contidas naquela tábua, também chamadas de mandamentos.
Nenhum outro povo da face da terra é capaz de seguir melhor as leis com todos os "efes" e "erres", pontos e vírgulas. Esse mesmo povo encheu as estantes com livros escritos por ele próprio, falando das leis e de como interpretá-las. É por isso é conhecido como o povo dos livros!
Poderíamos escrever ainda muito mais livros falando da sagacidade desse povo no trato com as tais leis vindas daquele monte no meio do deserto e à caminho da terra prometida.
No momento só quero citar um exemplo de como esse povo eleito obedece às leis:
Momentos antes do dia de descanso semanal, ou seja, minutos antes do shabbes, quando ao seguidor fiel das leis divinas - ocupado com orações - não é permitido trabalhar  ( repare você que acender a luz é considerado trabalho maquela estranha religião ) ele vai à cozinha, abre a porta da geladeira e afrouxa a lâmpada... para ela não acender enquanto não for enroscada e apertada de novo. Dessa forma, o seguidor fiel das leis divinas pode pegar uma cerveja gelada ou outra durante o dia sagrado, sem cometer nenhum pecado!
O amor universal daquele povo atende pelo nome de "Tradição"!
Um dia surgiu em meio a esse povo um jovem e ousou desdenhar da atitude dos religiosos diante das lei de Deus, dizendo que no duro só valia um mandamento, ou seja, "amar o próximo como a si mesmo"! Cobriram o cara no pau e o crucificaram... literalmente!

Já do outro lado do rio e demais fronteiras secas ou molhadas, bem definidas por meio de barreiras de concreto, cercas de arame farpado, muralhas e guarda costeira..  do lado de lá, o povo só tem um livro, que não é nem grosso nem nada e sim fininho. Esse livrinho contém pouco mais de uma centena de parágrafos chamadas de suras, textos ditados por Deus, que por lá se chama Alá e rabiscado em lumbrigas um tanto ilegíveis por Maomé, que a paz de Alá esteja sobre ele. Cabe dizer aqui e agora que toda vez que alguém cita o nome de Maomé, que a paz de Alá esteja sobre ele, é preciso emendar dizendo "que a paz de Alá esteja sobre ele. Já no mundo ocidental e entre kafirs, ou seja entre os infiéis, essas recomendações são um pouquinho diferentes como por exemplo: "Fulano, o diabo que o carregue..."
Voltando àquele livrinho, ele contém orientações de como o fiel deve se comportar, quantas mulheres pode desposar e maltratar à vontade e quantas bombas pode carregar embaixo do kaftan dele, para suicidar a si mais centenas de sunitas ou shiitas. Aquele livrinho, que também é conhecido por Alcorão, originou a Sharia, as leis que os fieis seguidores de Maomé, que a paz de alá esteja sobre ele, devem seguir.
O amor universal daquele povo é do tamanho da mesa onde fazem apenas uma refeição por dia, começando pela manhã e acabando momentos antes de dormir. Exceto durante o ramadã, quando jejuam durante o dia e enquanto houver luz do sol e se empanturram de comida tão logo o sol tiver se posto atrás das muralhas dos souks para lá de Marrakech.

Nas terras ocidentais, as leis têm cara de sargento, de auditor fiscal incorrompível, de carrasco! O povo parece estar usando permanentemente fraldas geriátricas com medo de cometer algum deslize e ser chamado atenção por um guarda ou transeunte qualquer.
Essas leis, normas de procedimento e demais papéis, papéis e mais burocracia, fazem com que haja muita urbanização para pouca gente; muito transporte urbano para poucos passageiros, muitas moradias para poucos habitantes. A organização é perfeita, graças à obediência às leis! Ou quase! Existe uma certa falta de assunto! Não acontece nada! Às vezes surge a notícia de terem achado um cadáver morto há vários anos, sem que ninguém tenha dado por falta do sujeito. Nem parente, amigo ou vizinho... Esse defunto, com cara da mãe de Norman Bates, só foi achado porque as pessoas já não conseguiam passar pela porta dele.. . Por causa do cheirinho? Que nada! O povo percebeu que havia algo de errado por causa da correspondência - exclusivamente propaganda - acumulada na porta do morto. A caixa de correios transbordou e a papelada acumulou´se no passeio, no corredor... até que alguém, impedido de passar, chamou a polícia, a prefeitura.
O amor universal desse povo costuma ser ele próprio, ou no máximo um gatinho, um periquito ou um peixinho dourado... além de um pacote de cerveja e um "salsichón"!

Tudo isso é difícil de entender pela gente em nossa terra tropical. Embora não haja nenhuma outra nação com mais dispositivos legais neste planeta de Deus, as leis por aqui não são feitas para serem obedecidas e sim para serem ignoradas, transgredidas e desrespeitadas!
O caos, o mangue, a desordem - tanto por parte do povo quanto por parte do governo - , obrigam a gente a interagir permanentemente com o próximo, de ter que negociar cada milímetro de espaço com gente espaçosa! Esse intenso corpo a corpo com o próximo faz com que nos aproximemos do próximo ao ponto de começar a amá-lo loucamente!!!
Em nenhum outro país do mundo as pessoas amam tanto o próximo e são cristãos tão perfeitos como aqui em Salvador, Bahia, Brasil!

Amen

Reinhard Lackinger

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